Rapsódia da Contemporaneidade













27/07/2007 19:30
X 9 e o que eu tô fazendo aqui

O que eu tô fazendo aqui?
Sabe que eu não sei...
Lá vem o professor de filosofia...
O cara vem falá essas coisa pra gente...
Mas o cara é um puta de um durango-kid...
E eu sei...
O cara fala pra gente estudá...
E eu sei que é paia...
Vê o cara...
O cara só tá o fiasco...
O cara fala pra num fumá baseado...
Mas será que ele num dá um dois...
Eu sei...
O cara gosta da gente...
Diz que gosta...
Não sei...
Também não sei...
Cê sabe que eu sou desconfiado...
Mas o cara parece que gosta...
Porra...
Mas o que eu tô fazendo aqui...
Futuro melhor!...
Mas eu nem sei o que é futuro...
O futuro a Deus pertence...
Como diz lá o x 9: ‘Morre um, nasce outro...’
Eu quero ser x 9...
Quero segurá a bereta e enfiá na cara daquele safado...
Eu não vou ter dó não, mano...
Futuro melhor...
Aqui é a lei dos maluco, mano...
Guerra é guerra, mano...
Futuro melhor o cacete...
Vê o cara...
Professor de filosofia...
Eu quero que ele se foda...
Esse professor de filosofia...
O cara nem me dá um chocolate...
Toda hora tá duro..
Esse professor de filosofia...
Então...então...
Estudá pra quê então...
Vê, mano...
Vê esse professor de filosofia...
Olha pra cara do cara, mano...
Vixi...
Tá louco...
Eu tô saindo, meu chapa...
Bye, bye, mano...
E aí, brother...
Tá vendo...
To até falando inglês, meu chapa...
E esse professor de filosofia...
Fala porra nenhuma...
Cê viu o carro do cara, mano...
O carro do cara toda hora acaba a gasolina...
Professor de filosofia...
Vi o cara ontem...
O cara desesperado no posto...
O professor de filosofia...
O cara é durango memo, mano...
O cara num tem nem pra comprá um papelote...
O professor de filosofia...
Lá pelo menos eu tenho os meu papelote certero...
Lá eu sou x 9...
Lá não tem essa de autorização pra migué, não...
Lá se não autorizá eu sou x 9...
Meto bala e pronto...
Aqui é mó embaraço...
Tem que entrá na fila e o caralho...
Maior loque esse professor de filosofia...
E aí...
Será que esse professor de filosofia segura uma bagana...
Óia a cara de maluco do cara, mano...igh...
Vixi, o cara é chapado...
Vê o cara, mano...
O cara pirou a serra...
O cara desfuncionô o neurônio...
Vi o cara ontem...
O cara desesperado no posto...
Eu quero que ele se foda...
Esse professor de filosofia...
O cara nem me dá um chocolate...
Toda hora tá duro...
Então...então...
Estudá pra que então...
O cara vem falá essas coisa pra gente...
Maior loque...
E aí...
Vixi...
O cara é chapado...
Vê o cara, mano...
O cara desfuncionô o neurônio...
Vê, mano, esse professor de filosofia...
Eu tô saindo, meu chapa...
Bye...bye...mano..
Tá vendo, brother...
Tô até falando inglês...
Cê sabe que eu sou desconfiado...
Mas será que ele não dá um dois...
Lá não tem essa de autorização pra migué, não...
Lá eu sou x 9, meu chapa...
Eu sei, meu chapa...
O cara fala pra gente estudá...
Mas vê o cara...
O cara tá no maior embaraço...
Filosofia o caralho...
O meu bagulho é ser x 9...
E aí, mano...
E aí...
E nóis...
O que nóis tá fazendo aqui...
Aqui os cara vai desfuncioná os nosso neurônio...
Bye, bye, brother...
Hasta la vista, meu chapa...
Filosofia o caralho, meu chapa...
O meu bagulho é ser x 9...entendeu, meu chapa...?

wilson luques costa


enviada por WILSON LUQUES COSTA



05/04/2007 16:21

O PROFESSOR NÃO PODE SER BOI DE PIRANHA

Há duas semanas mais ou menos eu participei de uma prova para professor do Estado. A prova foi constituída de provas objetiva e dissertativa. Como sou um cara muito exigente comigo, julgo que não fui tão suficientemente bem. Todavia na prova objetiva consegui os acertos mínimos necessários. Mas falta ainda a prova dissertativa com quatro questões. Tentei escrever. Mas já estava extenuado. A prova iniciou-se às 8hoo e foi até as 12h30 - depois retornamos às 14hoo e fomos até 16h30 - quase 17hoo. Cheguei acabado em casa. Pelo que tenho visto a nota do corte foi bem rente ao mínimo possível. Alguns colegas e muitos não conseguiram a nota mínima, portanto nem a prova dissertativa será lida. E olha que tem professor bom mesmo. Vou ser sincero, a prova foi meio intrincada. Eu, particularmente, perdi o tempo da prova. Mas não julgo contudo que atingiria a marca dos 5o pontos. Mas entrei num blogue de um senhor que é ligado a concursos, e ele faz críticas ao baixo nível do professorado, coisa que discordo em gênero, número e grau. Querem imputar um peso muito grande aos professores, talvez isso para justificar o mau ensino no Brasil -- que não é de forma nenhuma culpa dos professores. E quem fala aqui é um cara que se tiver que criticar, vai criticar. Ouvi isso de matemáticos, filósofos etc. Não fui só eu que perdi o tempo da prova, muitos perderam. Eu não vou justificar, mas fui com que conheço. Não estudei. Não esperava nem entrar, porque concluirei ainda esse ano a minha graduação em filosofia. Mas bem que eu queria dar essa prova aos elaboradores das provas. E como nós, professores riríamos. Sem falar que quanto à filosofia iríamos ter discussões para mais de metro, sem chegarmos ao fim e ao cabo a um consenso, mesmo que chamássemos Descartes. Agora preciso tirar 5 na dissertativa que valerá até 20. Fiz umas citações em grego e latim por isso agora estou com medo.



enviada por WILSON LUQUES COSTA



05/04/2007 11:13

Hoje mexendo nas minhas papeladas encontrei rascunhadas umas possíveis livres traduções de John keats (17.06.97) e uma de Paul Valéry. Vejam como é instigante e interessante esse mundo, porque -na semana que passou - eu estava lá no Gabriel Ortiz na biblioteca e um aluno estava com o livro do Keats e eu lhe falei que tinha um poema muito legal que era sobre gato. E aí o Celso brincou mais uma vez comigo e eu lhe falei que iria tentar fazer uma tradução. Mas, Celsinho, já havia feito como segue abaixo. Observação: Livre tradução. O texto inglês quem quiser pode procurá-lo. Tudo com os meus poucos e insuficientes inglês e francês de boulangerie.

NÃO PROCUREI METRIFICAR. FALTA REVISÃO FINAL. PROCUREI ELABORAR UMA LEITURA NÃO TANTO POÉTICA NO QUE CONCERNE À FORMA. PROCUREI MAIS PELO ATALHO BEIRANDO A PROSA.

´Gato, que já adentras o climatério --
quantos big e minirratos destruiste
em infindas campanas? Quantos
pardais roubaste? Crava-me teus verdes olhos reluzentes
e tuas veludadas orelhas,
mas não me arranhes ou te insurjas contra mim
com o teu gentil miado para contar-me de tuas contendas com todas essas guloseimas asquerosas. Pelo contrário, abstém-te contra mim de toda forma de lambeções, asmas e saracoteios de rabos chanfrados. Por muito menos uma governanta estilhaçou um cristal contra as muretas de um palacete. Gato, apesar das muitas quedas, ainda sustens teus sete pêlos macios e brilhantes sobre amorte. ´



´Quero prostitutas,
vinhos e haxixe até eu estertorar de prazer.

Pois abençoem assim a minha sina.

Se não,
deveriam então fazê-lo sem objeções até eu ressurgir
redivivo e entrelaçado naqueles três cravos da lascívia
com a minha barba basta
branca e rajada.

John Keats


sou o desconhecido
eu sou o perfume vivo e amortecido
que no vento some

sou o desconhecido
fragrância ou lume?
tão somente vindo
qual nódoa que esfume!

sou incompreendido?
para os entendidos
sou brisa, promessa!

sou o desconhecido,
como os teus seios idos
que esfreguei à beça.

Paul Valéry

enviada por WILSON LUQUES COSTA



04/04/2007 13:25

O LIXO DA HISTÓRIA

Tenho me desinteressado por muitas vozes ultimamente. Sinceramente, temo chegar um dia em não levar mais nenhum intelectual em consideração. Quem, com efeito, poderíamos considerar um fora de série hoje? Às vezes ouvimos muito nonsense, coisas que já acreditamos muito antes de tal figura falar. Num tempo de pequenas novidades nada é novo. Tudo é reciclado. Reciclamos o lixo da história e ainda nos achamos originais. Tenho tido cá para mim que o único livro que deve ser lido é o livro da minha própria história -- e esse poderei ler sim com os meus próprios olhos - sem lente de aumento ou outro colírio extasiante qualquer.



enviada por WILSON LUQUES COSTA



03/04/2007 11:08

Quero deixar bem claro aos afoitos que quando escrevemos sobre o caso Henry Sobel, longe estamos de qualquer anti-semitismo. Mas tenho certeza que todos julgam assim. Quantos padres pedófilos são pegos em flagrantes? Quantos pais-de-santo não são denunciados? Quantas religiões pentecostais não são atacadas com razão ou sem razão? O que eu quis fazer foi estudar um caso particular em relação a uma lei universal. Então pensemos: se começam a surgir jurisprudências quanto aos ansiolíticos, segurem, rapazes, os rapaces dos colarinhos verdes, brancos, amarelos, vermelhos e furta-cores. Outra questão: quer dizer então que o princípio da moralidade, se houver esse princípio, não teria um livre arbítrio? É evidente que a ´ciência´vem estudando esse caso e os seus corolários. Para nós, simples mortais e ignorantes, isso é uma novidade. Então sabemos que a moral está em xeque. Moral é um caso psicológico e não de consciência, embora consciência seja psicológica. Xi, já comecei, como dizia a minha ex-mulher, a filosofar. Chega!

enviada por WILSON LUQUES COSTA



03/04/2007 10:51

Ontem assisti à Invenção do Contemporâneo na tv cultura. Lá estava Arthur Ginnotti falando sobre a razão. Passou por Husserl, falou da matemática, regras... E os ouvintes com caderninho nas mãos anotando estupefatos. Sinto, às vezes, que Giannotti usa um pouco de um método sofista. Ele vai nos envolvendo que nem uma serpe, mas no fundo não deixa a coisa alva, nítida. E é disso que não gosto em filosofia. Ninguém pergunta. Coloca um questionamento. Giannotti critica a crise da razão, e impõe o seu princípio de autoridade. E isso para mim me parece muito pouco. Fui dormir depois com um ar de ledo engano.

enviada por WILSON LUQUES COSTA



02/04/2007 16:42

Saiu uma enquete na Folha sobre o maior brasileiro. E ontem fiquei pensando e pensando. Não gosto dessa coisa de maior e
melhor. Comecei por analisar como projetos de construção de uma liberdade. Por isso daria o meu voto a Zumbi - que teve um voto. Se fosse o maior ladrão eu ficaria na dúvida. Mas para o nosso deleite seria um italiano e não um brasileiro. Menheghetti foi o mais ousado ladrão que o Brasil já conheceu. É do tempo que se quebrava telhado, não painéis. E olha que a parada foi e continua ainda sendo dura.

enviada por WILSON LUQUES COSTA



02/04/2007 16:28

Estudo de caso

Quanto aos textos abaixo, não quero acusar Henry Sobel, que sempre me pareceu uma boa figura humana. Mas questionar certos posicionamentos corporativos da mídia - de um tal interesse - não sei por que motivos. Se fazem um ato solidário a Henry Sobel, julgo normal. Pode mesmo estar passando por problemas. Mas outros brasileiros não estariam? Sei também que o caso aconteceu fora de nossos quadrantes. Mas a discussão preconceituosa e moral se faz diuturnamente aqui.

enviada por WILSON LUQUES COSTA



02/04/2007 16:19

A imprensa brasileira a cada dia vem defendendo os atos burgueses:
burguês pode roubar, pode matar, pode acusar, pode tudo (justificado). Pobre só tem o direito de ser acusado.


enviada por WILSON LUQUES COSTA



02/04/2007 15:45

Roube gravatas não roube galinhas

Tenho alguns colegas que exercem a medicina. E por sinal dois com especialização em psiquiatria. Na realidade, lídima coincidência dos fatos. E longe está de associar-me a eles: eu como alienado; eles como alienistas. Portanto, desconheço quaisquer efeitos colaterias que possam ocorrer com certos medicamentos -- principalmente medicamentos com substâncias que levam ao ato de furtar. Se é assim, devemos considerar que o mundo desde os seus primórdios já vem fazendo o tal uso desses tais medicamentos - mas que só agora a ciência os descobriu - e mais principalmente ainda quando aviados a uma certa elite, por assim dizer. Nunca vi até hoje em minha vida, o meu colega Rochinha ser liberado por ter ingerido essa substância. E a defesa dos usuários de ansiolíticos é que por uma vida ilibada, e por serem ricos jamais necessitariam furtar. Como se desconhecêssemos esse tal de Brasil Ou seja: negado o indulto a todos os furtadores usuários de outras substâncias que não sejam ansiolíticas. Ladrão-ladrão rouba porque cheira crack, fuma maconha ou aspira cocaína - que - pelo que me parece - não têm esse poder ansiolítico. Ou porque não passam por problemas mentais e quetais - sendo imoralmente mesmo imorais. A mulher que furtou um remédio para o seu filho numa farmácia, furtou porque é uma ladra mesma ou outros casos e casos irresolvidos nessa cidade. Ou seja: o furto só é válido, quando você não necessita daquele objeto do furto (atentarmos nesse caso para o paradoxo do furto) - furto por necessidade requer prisão, masmorra de último quilate. Ou seja: se você for rico e tiver uma certa ascendência social e se tiver condições financeiras, você poderá perpetrar o furto; mas se você for pobre, meu amigo, você estará mesmo fodido. Por isso agora leia esse conselho: antes de roubar uma limusine, compre antes uma limusine; e se ainda puder, de sobra, coloque na carteira vinte e tantas gotas de gardenal, se possível, na sua carteira. Mas cuidado para não molhar o seu bolso antes de molhar a bolsa ou o bolso desses seus mais ferrenhos inimigos: esses tais chamados de seus inimigos morais.

enviada por WILSON LUQUES COSTA



30/03/2007 16:16

Ansiolíticos: a salvação da nossa cultura

Aviamento para escritores, poetas, filósofos, alunos e professores: quando adentrarem uma biblioteca, galera, favor tomar duas drágeas de ansiolíticos, de preferência, dos fortes.


enviada por WILSON LUQUES COSTA



30/03/2007 16:06

Henry Sobel

Assisti ontem pelos jornais e hoje leio pela internet sobre o possível furto de gravatas perpetrado por Henry Sobel. Todos devem saber que Sobel é rabino em São Paulo. Português, naturalizado americano. Sobel passa um ar de diplomacia para as religiões. Sobretudo para a religião católica. Caso similar aconteceu com o estilista Esper. Só que eram vasos sepulcrais. Dizem que Sobel passa por uma depressão, como também Esper passara. Dizem os especialistas que os ansiolíticos levam a um estado de cleptomania. Possível caso de Brasília. E eu estou longe de entrar nesse mérito. O que é furtar gravatas, sob uma tarja preta, diante de uns sem-camisas? Sei que esse assunto vai dar pano para manga. Notadamente por Sobel ser um judeu. Penso que a lei americana e o próprio rabinato é que devem julgá-lo. Se não tomarem cuidado vai virar um caso Dreyfus - tudo por ser Sobel uma autoridade judaica. Essa discussão vai passar, sem sombra de dúvida, pelas mãos dos catedráticos, blogueiros etc. Por isso adianto já esse texto. Os antisemitas procurarão desancar Sobel, outros, na certa, o defenderão. É pena que Zé Galinha, fichado no depto de Roubos a garnisés, há muito que não vem tomando ansiolítico. Da última vez, detectaram 51 mesmo no citrino de sua urina. Resultado: 22 anos de cana e solitária - sem sursis, teresas, marionetes ou marinetes - na cadeia.

enviada por WILSON LUQUES COSTA



30/03/2007 11:29

Puerilidade intelectiva nos metrôs

Certa vez, ouvi uma jovem vangloriando-se do fato de seu mais novo nubente ter lhe falado que na noite anterior tivera a capacidade de trocar umas cinco ou seis palavras em inglês ou francês com o seu patrão inglês, francês ou norte-americano. Ela extasiava de felicidade, enquanto discorria nonsense com a própria amiga num português bem pra lá de chinfrim.

enviada por WILSON LUQUES COSTA



30/03/2007 10:58

O homem sadio
inveja a saúde
do homem doente
mas
o homem doente
não inveja
a doença
do homem sadio

enviada por WILSON LUQUES COSTA



30/03/2007 10:55

Basta de louros!

O homem doente
já é reconhecido
pela sua própria dor


enviada por WILSON LUQUES COSTA



30/03/2007 10:48

Pequenas reflexões

Objetivos de ensino são incutir nos alunos a capacidade de reflexão, aliando-a a outros conhecimentos. É a capacidade simbiótica de troca e de aprendizagem entre professor e aluno. Sendo o professor um farol, mas não um farol norteador, nem verde, muito menos vermelho -- mas um sinal amarelo de espanto. O professor deve dar os subsídios necessários para uma eficaz aprendizagem. O saber deve ser livre. E o aluno tem que ser vocacionado e destinado para a sua liberdade, sem, no entanto, abrir mão de sua responsabilidade tanto civil, quanto ético-moral.


enviada por WILSON LUQUES COSTA



29/03/2007 17:18

A CRISE DA POESIA


quando o mundo
está em crise

todos buscam
a poesia

mas quando a poesia
está em crise

a poesia busca o poeta


enviada por WILSON LUQUES COSTA



29/03/2007 16:39

A TÉCNICA A EDUCAÇÃO

Quando falamos em tecnologia, remetemo-nos à sua etimologia grega que é técnica. E técnica, se refletirmos bem, sempre tivemos. Afinal, foi a técnica que nos diferenciou dos ´chamados´ animais irracionais, e por outro lado, é a mesma técnica que nos faz confrontar com os próprios homens ou nos unirmos a eles também. É imperativo atentar que quando falamos em tecnologia, sobremaneira tecnologia educacional, lidamos com conceitos. Muitos educadores e filósofos já escreveram sobre os benefícios e malefícios da técnica. A problematização maior é saber discernir o fim dessa técnica, ou seja, se se quer com ela construir ou destruir. Tenho, cá para mim, fazendo uma inversão de uma máxima, que se você não for até a técnica, a técnica irá até você -- por isso julgo quase que inócua toda discussão que se apresente em tentar tratar da adoção ou não adoção da técnica, pois ela irremediavelmente irá até você - mesmo que diante dela você ainda sucumba. A meu ver, precisamos melhor, sim, focar a discussão quanto à qualidade e ao conteúdo que essa técnica poderá nos proporcionar ou rever os papéis e propósitos educacionais. É óbvio que se protelarmos como vimos protelando toda uma maximização de esforços, na rabeira mais uma vez ficaremos. O importante é não justificar as nossas tão já conhecidas não-ações e caminharmos naquilo que a técnica vem nos exigindo. Como diria aquele sátiro jornalista: ´quem fica parado é poste`. Mas mesmo assim, parado, acende-nos uma luz sobre as nossas cabeças - coisa que há muito tempo não temos realmente feito.


enviada por WILSON LUQUES COSTA



29/03/2007 16:02

A EDUCAÇÃO EAD - MINHA VISÃO

Não é de hoje que toda revolução sofre, numa primeira instância, quando da sua implementação, de uma incipiente e insipiente suspeita, por aqueles que se agarram firmemente a uma tradição, que nem sempre também se faz benfazeja. E com a Sociedade da Informação não se faz diferente nesse estágio, por assim dizer, um tanto quanto não menos revolucionário, e não menos ainda incipiente – quando pretende adotar mecanismos tecnológicos, coetâneos e facilitadores para o desenvolvimento social e humanístico – com a ampliação ao acesso do conhecimento ao cidadão, nesse caso, brasileiro, para descaracterizar-lhe uma chaga que não foi ainda abolida: a analfabetização. É triste observar - que numa cidade moldada pela informação - que ainda haja os chamados retardatários. Importante é notar que ao invés de demonstrarmos o avanço, fixamo-nos sempre mais num ponto do atraso. Há sim uma suspicácia quanto ao ensino EAD – e essa suspicácia é devida a um preconceito. Senão vejamos: no ensino presencial utilizamos projetores de slides; aparelhos de som; TV e vídeo; CD/DVD; computadores; Datashow; Internet – já na modalidade a distância, além de agregar todos esses suportes, exige-se uma tecnologia maior e recursos multimídias muito mais facilitadores, que só fariam diminuir o fosso de nossa insuficiente educação. Evidentemente, que há a premente necessidade de se fazer também uma rápida e inadiável inclusão digital. Mas o preconceito e a rejeição se dão por conta daqueles que vêem mais mérito em ter uma pequena sociedade elitizada com as suas gritantes diferenças, do que possibilitar a inserção de mais e mais cidadãos no conceito estrito de cidadania. Nota-se claramente que o desejo da educação continua sendo ainda mais diferenciar do que igualar, para o gáudio de poucos e a decepção sempre comum de poucos. Não devemos jamais confundir sociedade da consumação com sociedade da Informação. Aliás, conhecimento não é um artigo de luxo e supérfluo, principalmente, no Brasil.

enviada por WILSON LUQUES COSTA



29/03/2007 11:43


Sobre a pendenga da plutocracia literária, e que houve uma pequena discussão em torno do tema, fiquei sabendo, por alguns blogues, que a Folha chamou de ´esses blogueiros´ - como se isso fosse uma coisa menor. E ela está certa e errada. Mas são os suportes que dão uma estruturação aos escritos? Então há que haver textos nos suportes livros para serem considerados? Sei que os suportes influenciam esteticamente na maneira de ler. Inclusive acho o blog muito cansativo - lemos mais os releases - uma leitura preguiçosa - do que o próprio texto. Eu aqui ainda continuo pontuando por esse espaço, porque encontrei uma forma gazeteira de escrever. Sei que a nota da Folha não foi dirigida a mim, porque sou e quero ser um mero desconhecido - embora escreva em blogues, onde perco todos os meus textos. Mas não considero o que escrevo menor ou maior do que muitas coisas que circulam por aí e que virarão na certa livros subsidiados por alguma ´rapace´ editora. Como vocês vêem, escrevo sobre tudo e sobre nada. Mas sinceramente não acho que um desses que circulam na mídia escreveram algo de maior valência - como o que escrevi sobre o meu PZ. É como eu havia falado: muitos desses não menos blogueiros têm crédito por terem autoridade pela escrita midiática - mas para mim não passam de uns tontos joões sem braço e apedeutas... E tenho dito...




enviada por WILSON LUQUES COSTA



29/03/2007 11:15

NOVOS MOEDEIROS FALSOS

Hoje, de manhã, fui levar um documento para a minha colega professora de filosofia formada pela usp, Luciana, mente brilhante - que nos faz rememorar uma Susan Sontag brasileira. Aproveitei e deixe-lhe alguns documentos, dentre os quais o meu texto sobre o PZ e alguns e-mails recebidos por Olavo de Carvalho. Lá estava também o professor Vicente que leciona literatura no próprio colégio, onde por sinal, leciono também, agora geografia - e ele pediu-me a permissão para emprestar os meus livros para os seus colegas - livros que evidentemente ele já os leu. Respondi-lhe que eu lhe daria autografados os meus livros, como faço para com os meus alunos e colegas - apesar do exortamento para a venda por parte de alguns. É asim: enquanto muitos se locupletam pela literatura, eu vou dissipando as minhas poucas e parcas moedas e com muito e não menos prazer.


enviada por WILSON LUQUES COSTA



27/03/2007 17:22

René Descartes

Comecei a reler com mais atenção O Discurso do Método. É um livro leve e gostoso. Em poucas linhas Descartes diz tantas coisas legais. Reencetei essa obra por conta de um concurso que prestei no domingo. Senti que precisava ler Descartes com atenção. É uma leitura leve. Evidentemente traduzida. Depois, pretendo, se der, ler em français. Antes de ser um filósofo, Descartes é um verdadeiro escritor. Sempre gostei mais da filosofia que tende à literatura, mas nunca o seu inverso, incluindo aí a poesia -- porque o filósofo pode poetar, mas o poeta, por outro lado, careceria de filosofia, o que lhe exigiria um certo rigor, que, infelizmente ou felizmente, escritores e, de sobra também, jornalistas não têm.


enviada por WILSON LUQUES COSTA



26/03/2007 16:19

Em terras de cegos quem tem um olho é caolho.

Vivemos, queiramos ou não, pelo princípio da autoridade. É assim: quem é você ou você sabe com quem está falando? E se não for assim, neca de pitibiriba. Eu, aqui nesse ou em outro blog, já deitei e rolei o meu tipo de arrogância e por essas e tais brincadeiras, quase que perdi os poucos amigos que eu cultivava. Por quê? Porque ninguém gosta de cara sabichão, metido à besta e dono da verdade ou que não tenha um mínimo de humildade. Mas façamos o contrário então: escreva uma crônica ótima ou boa e encaminhe para os jornais e revistas especializados ou não -- e a resposta virá: Senhor, fulano de tal, queira, por gentileza, identificar-se e colocar logo abaixo a sua formação universitária, especializações na pós-graduação, se fez mestrado, doutorado, pós-doutorado, se viajou para o exterior - indicar o local e o tempo de permanência - contatos e reconhecimentos - se já escreveu em algum jornal - apontar a linha de sua universidade - se poeta, favor citar revistas, periódicos nacionais e internacionais, para que possamos considerar o seu artigo e/ou o seu pensamento -- no mais, o nosso mais sincero agradecimento -- e o pior é que nem isso eles nos fazem... Falo tudo isso para demonstrar esse princípio de autoridade que nos permeia desde o nosso nascimento como nação. Ou seja, o cidadão-cidadão poderá ter uma idéia brilhante, mas se não tiver os devidos panegíricos, nada de reconsideração pelo que escreveu -- o que quer dizer que a sua voz ecoará no vazio... Falo isso ainda mais porque tenho o péssimo ato de enviar comentários para determinados blogs e o pensamento deve ser: quem é esse aproveitador ou papagaio de pirata? Mas a saber mais uma vez para as plebes ignarae: sou o autor do chamado Paradoxo do Zero, sim senhores, e se quiserem saber mais sobre a minha autoridade, deverão, no mínimo, os senhores, sobreviver pelo menos mais duzentos anos, por isso peçam a Deus para lhes dar devida guarida de vida. Como dizia Nietzsche: alguns homens nascem póstumos -- eu já nasci no próprio tempo, mas, infelizmente, numa terra de cegos...


enviada por WILSON LUQUES COSTA



24/03/2007 15:05

NUNCA VI UMA RAPOSA VIRAR HOMEM, MAS VI MUITOS HOMENS VIRAREM RAPOSAS

Tem havido uma discussão a respeito de subsídios do governo para escritores. E eu - como nunca gostei de mamar nos úberes de ninguém - fico na minha. É briga de peixe grande, que quer fisgar o anzol. E eu sou um pouco nostálgico ainda: se você quer escrever, escreva; e que se danem os patrocínios. Eu dou as minhas aulas, e nem sou por isso um sofista. Aliás nunca cobrei nada de ninguém. Já ensinei um pouco de grego e latim, pouco, muito pouco, que no Brasil é um luxo. A literatura brasileira é burguesa e elitizada. É da classe média para cima. E quem não é, logo ascende por se tornar um escritor. Isso significa dizer que ser escritor no Brasil é ascender de categoria. No Brasil, escritor tem status; quando deveria ter, na verdade, vergonha na cara.


enviada por WILSON LUQUES COSTA



23/03/2007 10:09

Gaia - para Vicente Cechelero - in memoriam


Tímida e taciturna
entre as galáxias

Um entrave
entre as poeiras

Metástases
de pedras cósmicas

Uma estrela azul
cadente
aquém do universo

Um bólido
de contritos argonautas

Progênie de um deus
bêbado
baco
qualquer...



enviada por WILSON LUQUES COSTA



23/03/2007 10:03

Crítica da razão de nosso amor


Se teu amor

é um juízo hipotético

Nele me universalizo.



Agora é categórico

Te amar

até a eternidade.



Não tenho mais juízo

Você

Uma hipótese plausível.



Nossa paixão

É lei

Universal e necessária.



Nosso amor

Emoção ou Razão Pura?



As estrelas subsumidas

O nosso amor brilha

Brilho no universo.



O que mais me espanta

Sobre a minha cabeça:

O nosso amor.



Ama-me de tal modo

Que eu possa te amar

Até a eternidade.



Nosso amor

Noûmeno

A coisa em si.


Dois postulados

De nossa paixão:

Eu e você.


Nossa paixão

Alcança

As verdades metafísicas.



enviada por WILSON LUQUES COSTA



23/03/2007 09:51

Haicais


A lua se esconde

Muito tranqüilo o sol dorme

Bela noite escura.



Estrelas no céu

Firmamento salpicado

As luzes são mortas.



Se o tempo em mim passa

Eu pelo tempo não passo

No tempo que passo.



Verão... Primavera...

Em nossas vidas: Invernos

Ou estação de outonos?


enviada por WILSON LUQUES COSTA



22/03/2007 10:31

Alguma reflexão sobre educar

Julgar que não passa de um mero discurso que a cidadania é um dos caminhos para se combater a desigualdade social no Brasil, já é por si só uma falta de cidadania. Se entendermos por cidadania estar sob a égide de uma constituição, que se pretende salvaguardar os direitos isonômicos a todo brasileiro, então veremos que a educação está longe desse seu escopo. E a educação brasileira, por mais que se esforce, a cada dia mais se afasta desse ideário, quando não consegue educar. Aliás, o que mais a educação tem feito no Brasil, com algumas exceções evidentes, é menos educar e mais dividir as classes entre incluídos e excluídos, ou melhor, para não dizer sobre o seu corolário: ricos x pobres ou dominantes x dominados. Sendo esse modo particular de des(educar) uma infração inominável aos direitos do ´ser´ brasileiro e por conseguinte ´ser´cidadão. Quando se fala em conceito educacional, devemos, antes, atentar para quais objetivos. Se o objetivo é a clivagem de classes, então a educação brasileira já disse para o que veio; e está eficaz em seu propósito. Se, no entanto, o seu propósito for o oposto de tudo isso, deveremos, então, refletir sobre uma nova maneira de educar, e deixarmos de considerar moedas sonantes todas as fomas de conhecimento, e as repartirmos com os nossos cidadãos. Devemos ainda aludir que nosso propósito educativo deve partir de nossos governantes, dando-nos todo o aporte estrutural e catalisador, com a clara adesão dos educandos que também devem cumprir com o seu papel de serem educados para educar; formando, dessa forma, um efeito dominó que só nos trará, sem embargo, todos os benefícios a curto e a longo prazos. Porque se educar é um projeto, deseducar tem sido também um projeto dos chamados tanques do pensamento deseducativo; e sendo, sim, mais uma escamoteação ou crime de lesa-pátria, do que destinar o homem à sua plena liberdade, ou ao seu senso de inserção histórica, demarcando-lhe também as balizas de seus direitos e responsabilidades, inculcando-lhe também certos comportamentos éticos-morais, embasados em justificativas intuitivas ou racionais, mas que venham ao encontro da preservação sempre e sempre da vida humana. E se as desigualdades não são inatas, porque surgem pela má gestão de um projeto educativo, fácil será perceber que um bem alinhavado projeto educacional poderá em curto espaço de tempo romper com essa falta de cidadania, que, infelizmente, grassa entre todos nós, todos nós: ´cidadãos´ brasileiros. Que, de uma vez por toda, no Brasil, não se confunda mais educação endênica com analfabetização endêmica.


enviada por WILSON LUQUES COSTA



21/03/2007 17:49

Parabéns ao colega Luis Marra pelo texto no livro sobre Favelas, lançado no último dia 19 de março no shopping Higienópolis. Infelizmente não pude ir, porque fui levar meus pais ao servidor público. Mas agradeço de cori o convite do Marra. Sou um cara crítico a certos mecanismos da literatura, mas já cansei. Cada um, cada um. Quero mais é ter um milhão de amigos, como diria Roberto Carlos. E o Marra é um grande contista. Para mim ele não é novidade. Já o conheço desde 2004, quando frequentávamos a Taberna Cultural do meu amigo Nicola, aqui na zona leste. Já li o Coletivo Aleatório e recomendo. E para os demais da antologia também um salve. É isso aí, vamos fazer literatura brasileira. Sed: Amicus Plato sed magis amica veritas.



enviada por WILSON LUQUES COSTA



21/03/2007 17:36

O meu mais profundo agradecimento ao novo colega Paulo Evaristo Videira pela sua visita em minha residência ontem. O Brasil não conhece o Brasil. Vai de Parmênides a Noica, passando por Olavo de Carvalho e Chaui, sem tropeçar no farol. E longas e deliciosas leituras de seus cadernos. Na mochila o meu dvd sobre o Paradoxo do Zero. Valeu mesmo, grande fileleno e não menos filo-hebraico, Paulo Evaristo Videira.



enviada por WILSON LUQUES COSTA



21/03/2007 17:29

Não tenho sentido mais aquela vontade louca de escrever. Mesmo que seja qualquer boutade. Acho que tudo já foi dito, e como diria Gide, ´mas como ninguém escuta.´ Mas estou mais focado no silêncio das palavras. Tenho curtido as minhas aulas matutinas, que agora voltarão a ser noturnas. Substituirei o professor de geografia por uns sessenta dias. E as aulas estavam legais com a garotada, por isso essa garganta irritada: um dia, introdução à lingua grega; no outro, noções de latim; outro, básico de francês ou um pequeno vocabulário de alemão. E assim vamos aprendendo e vamos ensinando. Só que agora só vai ser geografia na veia. Mais uma para eu poder me deliciar.

enviada por WILSON LUQUES COSTA



15/03/2007 16:33

FRAGMENTOS DESSE TEXTO PUBLICADOS NA EDIÇÃO N.8 DA REVISTA DE LITERATURA E ARTE COYOTE. DEPOIS DESSE TEXTO, A REVISTA
DEVER-SE-Á CHAMAR SOMENTE: COYOTE.


O SIMULACRO DO FUTURO

1

sim, monsenhor...
sou de aquário...
o que me possibilitou,
depois de centenas e centenas de pirronistas,
que tentaram me desconsiderar por todos esses anos,

aceder ao fechamento de um silogismo,
que eu já desconfiava,

desde quando daqui deste pináculo ou como queira o monsenhor,

daqui deste outeiro,
que diz respeito à minha genialidade,
assegurar-lhe nesse momento,

que acabo por definir e dar por acabado um conceito que veio há anos aturdindo
a todos da população...

2

sim, monsenhor...

não desconsidere o fato
de haver muitos canalhas nesta cidade...

o fato de haver muitos canalhas nesta cidade,
não impedirá de maneira alguma

que eu lhe relate esse conceito antediluviano
que viemos perquerindo

ou até mesmo
tentando
encontrar
o
bojo de sua saliência...

acresce-se ainda, monsenhor...
que não obstante

a minha genialidade,

devo confessar-lhe como se deu tal episódio...


3

mas antes, monsenhor...
devo informar-lhe que nesta cidade há muitos canalhas...

sim, monsenhor, foi o fato de haver muitos canalhas nesta cidade,

que me induziu à inserção
neste processo sistemático
de ensimesmamento,

o que me possibilitou
como já relatei

ao assentimento dessa idéia,
que agora
denota a minha genialidade,

ratificando de modo cabal e epistemológico

o meu axioma...
que no entanto
não deverá surpreendê-lo,

por se tratar
na verdade,
de um pleonasmo tautológico...


4

a verdade, monsenhor...

a verdade
está a dois palmos
de nossas retinas...

mas não posso desdenhar o fato
de eu ser de aquário, monsenhor...
para eu ter chegado
a esse paradigma...

não sei, monsenhor...
como o conceituei
e como cheguei ao limiar
de
uma
conclusão perene
e que julgo satisfatória...

talvez seja o fato
de minha concepção
ter se dado provavelmente em meados de maio, monsenhor... quando as flores restabeleciam
o seu viço e as sebes ornamentavam o asfalto com seus juncos...



5

mas o fato, monsenhor...
o fato é que a verdade
veio à tona...

a verdade
que estava a dois palmos de nossas narinas...
não que essa verdade
viria a ser descoberta
por quaisquer cânones...

não, monsenhor...
a verdade veio
de forma intuitiva...

que apesar
da minha genialidade, monsenhor...

não poderia
eu julgá-la,
tal como bergson a teria julgado...

mas posso considerar que essa minha
tal genialidade, monsenhor...
seja um mix de ilação e intuitividade...

e o fato, monsenhor...
de haver muitos canalhas,
nesta cidade, não me impediu
de chegar a esse desparadoxo...

6

não foi, monsenhor...
a fenomenologia
que me levou...

não, monsenhor...

nem, contudo shakespeare
ou la rochefoucauld

nem mesmo qualquer aforismo
ingênuo e tolo que me levou...

sim, monsenhor...
foi um jogo...

talvez um pecado
pelos cânones
estabelecidos...

talvez tenha sido
um impulso
pré-lógico...

talvez, monsenhor...
um impulso natural

a verdade, monsenhor...
é que tal fato
deu-se em meados
de fevereiro... quando
todos estupefatavam-se
com essas danças esquisitas...


7

não julgue tal fato
um absurdo,
monsenhor... e não desconsidere
que o fato de termos muitos canalhas
nesta cidade é o que me fez
pensar em silêncio...

não foi no intuito de um potlatch, monsenhor...
que canalizei e dissipei toda minha energia...

não, monsenhor... não deve haver tolerância
quando se asculta o significado das coisas...

e a verdade, monsenhor... é que o meu juízo
está ratificado em todos os seus aspectos eloqüentes...

8

eu, monsenhor... jamais olvidaria qualquer
aspecto que diferisse de minha metodologia...
a não ser o fato empírico das incoerências
inolvidáveis... não pense, monsenhor...
que esta verdade resida em aspectos singulares,
já que me encontro nesse círculo adiante...

9

devo também lhe informar,
monsenhor... desse aspecto...

esse fato, monsenhor...
não deve ser argüido...

os canalhas desta cidade
não devem ser refratários
quanto a essas premissas,
às quais me referi...


10

pois bem, monsenhor,,,
necessito contar-lhe
como tudo ocorreu...


11

sim, monsenhor...
eu estava distraído observando
um felino nefelibata, quando me deparei
com essa antinomia... aí pensei: acabo por definir
tal antinomia... é simples: posso muito bem defini-la
e superá-la por uma razão simples, já que me encontro nessa situação que me permite de forma empírica aplicar toda a teorética até então consagrada... se posso, monsenhor... desta forma estabelecer e consagrar algo que vem sendo perquerido há séculos, posso também julgar-me um gênio dentre muitos canalhas que residem nesta cidade...


12

e aí, monsenhor...
estabeleci algumas regras,
mas vi que toda metodologia empregada
ia me desviando dos conceitos estabelecidos...
aí então retornei ao puro silogismo
que, apesar de simples, deu-me todo o substrato
para a canonização desse conceito...

13

eu, monsenhor... confesso que fiquei perplexo,
quando percebi que o julgamento
que eu fazia, era mais simples do que eu pensava...
e aí pensei: será que outros aquarianos como eu
tiveram esses mesmos insigths, quando muitos desta cidade, sobretudo os canalhas, dançavam uma dança esquisita....

14

ah, monsenhor... não julgue depois que eu lhe relatar esse insight, que tal desvelamento seja um verdadeiro ovo de colombo...

não, monsenhor... os ovos de colombos só funcionam
quando se quebra a casca que os envolve...

sim, monsenhor... muitos dirão: mas se trata
de um verdadeiro ovo de colombo...


15

sabe, monsenhor... não negaceio o desejo que em mim se instaura neste momento...

o desejo tem comichões inescrutáveis...
gostaria já de chofre lhe dizer como tudo ocorreu...
mas vou boderjando pelas encostas, sem saber
com convicção se esse relato estará muito bem consagrado...


16

mas, monsenhor... retornemos...
quando, monsenhor... lhe digo: retornemos...
já quase lhe atiro um fio condutor,
entretanto, monsenhor... um aquariano nesta minha condição de genialidade só poderá na verdade retornar... já que esse retorno induz, ao menos em sua sutilidade, o que passo logo a lhe relatar...

17

sei, monsenhor... que muitos neste momento
julgam-me orgulhoso, ardiloso e tudo mais....
mas esse conceito emergiu mais em função
de um mourão estático no qual todos se apóiam...


18

sim, monsenhor...
eu estava com as duas palmas apoiando
o meu queixo...

era um devaneio...
um simples devaneio...

na verdade,
eu não pensava em nada...

mas me perguntei:
como posso não pensar em nada...
já que pensar em nada,
significaria algum pensar...

na realidade
eu
pensava algo...


aí, monsenhor...

eu repensei
e repensei
e lembrei

que há muitos canalhas
nessa cidade...

mas desdenhei
tal
fato

porque
pensar
é ficar
doente
do pensamento...

alguém já disse isso
alguma
vez...

mas
não sei se pensava
ou não pensava...

eu
despensava
na verdade...


as minhas mãos
como
aquele
mourão

e o meu queixo
nelas apoiado...

e
eu
pensava
e
despensava...

e aí disse para mim mesmo:

sou...

sim...

devo admitir
tal verdade...

sim,

sou
um
gênio...


mas aí pensei:

mas e a humildade...
mas ao mesmo tempo pensei:
sou um gênio...

sim, descobri...

19

não, monsenhor...
eu não seria um gênio, se fosse o que o senhor está pensando....

só eu, monsenhor...
um aquariano,
poderia chegar
a esse desvelamento...

20

e foi quando eu apoiava
sobre as minhas mãos o meu queixo que pendia...
que eu disse:

heureca!
heureca!
heureca!

sim, eu o vislumbro, ou melhor: eu sinto o seu odor...


21

eu não sabia, monsenhor...
que ele tinha odor...

é um odor fétido, monsenhor...

é um odor que se espraia...
que se dissemina...

jamais pensei em minha vida que seria através de minhas narinas a descoberta...
o desvelamento....


22

então sucedeu, monsenhor...
que
toda a descoberta
passava
pelas minhas narinas...

e eu,
monsenhor...
sentia o seu cheiro...

e
eu perguntava-me:

como eu,
um tosco aquariano,
que não sabia que era um gênio,
vim aportar aqui...

que nau ou saveiro me trouxe...
não me lembro...
não me lembro...

e
eu
ainda
me perguntava:

como
aqui
vim
fundear....

qual
quilha...

qual embarcação...

qual vento...

qual
leste
ou
oeste...

qual correnteza...

qual
maresia...

qual veleiro...

será que posso retornar...

já não tenho noção do tempo...
o tempo aqui
se quebra como os leves
cristais... e eu, monsenhor...
ansioso, olhava para
a frente, mas eu não enxergava nada...

e
eu
perguntava:

então seria isso...

fiquei desconsolado...

einstein naturalmente tinha nos iludido...
einstein fora um impostor...
que os muros
dos
tártaros
desabassem
sobre
a cabeça
de einstein...

23
e eu, monsenhor...
solitário,
lá naquele escuro,

eu chorava...

sim, monsenhor...
eu pedia socorro
a einstein,
mas einstein não me ouvia...

eu não suportava mais o odor...
eu queria retornar...

mas lembrei-me dos canalhas da cidade...


24

então fiquei indeciso...
como seria o meu retorno...
eu tinha perdido
a noção do tempo...

o tempo
tinha se partido...

à minha
frente mais nada...

eu podia voltar...

é concedido a um aquariano o retorno...

será que é concedido...

mas voltar pra quê....

mas ficar pra quê também...

25

então, monsenhor...
embrenhei-me
nessa
triste aporia...

mas
se eu

me
encontrava
lá...

restava-me
o
consolo
ou
o
regozijo...

mas einstein havia mentido:

E=mc2...

não...
eu não compreendia nada daquilo...

nada...

nada...

nada...


26

einstein
naturalmente
havia
mentido...

aí, monsenhor...
eu
comecei a chorar...

eu chorava
copiosamente...

era uma torrente de lágrimas...

lágrimas de alegria por aportar naquele navio...
mas mesmo com as lágrimas eu via, monsenhor...

eu
via dali muitos
mendigos....

eu via a fome,
monsenhor...

eu via a penúria arrebatando
de forma repelente...

eu via a agrura
que se deitava
naquele horizonte...

mas lá não havia horizonte...
lá era o fim e o começo, monsenhor...

mas eu via nitidamente...
eu me escorava em meu próprio corpo...

eu, um aquariano, sozinho...
e eu me escorava...

eu
queria
retornar...

mas
não podia retornar, monsenhor...

era lá, monsenhor...
eu havia chegado...

eu e minha genialidade...


27

eu
não
estava só,
monsenhor...

eu
estava
acompanhado...

eu palmilhava
ponto
por
ponto...

eu
queria
conhecer
a sua estrutura...

eu queria conhecer o seu solo...

eu havia chegado...

eu sei que um filósofo
já dissera
que
ele
dura muito tempo...

mas eu havia chegado...


28

procurei
adaptar-me
àquele odor,
monsenhor...

donde vinha aquele odor...

eu me perguntava...

29

eu sozinho lá,

me perguntava...


30

sim,
monsenhor...
confesso
que
me
decepcionei...

zanguei-me
por uns instantes...

aventei
um
caminhar...

mas eu não podia
mais caminhar...

lá era o limite...

só me restava o retorno...

mas
como
retornar...


por
quais
atalhos...

por
quais
caminhos...

mas eu precisava retornar...

não...

eu não queria mais estar ...

eu queria retornar....

pensei todas a formas de retorno...

mas era isso que eu queria?...

mas
era
isso
que
a humanidade
queria?...
aquele odor...?


31

era só isso...

tantos ensaios...

tantos...

tantos...

tantos...

então era aquilo...

oh,
também
althusser
estava
errado...

não...
não...

althusser estava errado...
lembro-me daquela frase
no quadro negro...

mas
eu
estava
lá...

eu
tinha
chegado...

einstein: E=MC2...

não podia ser...

32

sim, monsenhor...
sou de aquário...

e
eu
ensimesmado...
e
querendo
retornar...

eu
tinha
fechado
todo
o
silogismo,
monsenhor...

agora eu era um gênio absoluto...

sim, monsenhor...

eu era um gênio absoluto...

sim, monsenhor...

esse era o meu vezo...

eu,
que todos julgavam
um
tosco
aquariano,
nascido
nesta cidade de bárbaros...

33

então eu,
um aquariano
tinha chegado....


34

e eu via...

eu via
a maldade
com os
dois punhos
cerrados...

eu via
a inveja
que
forcejava
uma janela
escura...


eu via
os
perdulários
malsinando
uns
aos
outros...

e
eu
perguntava...

não...

eu já não perguntava...

como eu poderia
perguntar
para
mim mesmo...

eu
que
tanto
me
perguntava...


e eu me embaraçava...
e
eu
me perdia...

como pode um aquariano
se perder...

mas eu me perdia...
eu me confundia...

35

mas eu via a barbárie...
eu via a fome...
de lá eu podia
enxergar...

eu via midas
perdido
num
labirinto...

midas
cravejado
de ouro
e
diamantes...


sobre
o dorso
de midas
um
rubi
encarnado...

eu via leopold bloom...

eu via tudo...

uma leve brisa doce
soprava
por
sobre
as cabeças nuas
num cochicho...

eu via uma terra parda úmida...

sim ...

eu via duas vestais de dublin...

eu havia chegado...

36

não...

lá não era o paraíso...

fomos enganados...

fomos ludibriados...
lá não era o paraíso, monsenhor...

37

como pude pisar
em
solo
tão
estranho...

meu jeito estouvado
de
aquariano
se
perdia
naquela
imensidão...


38

todos ririam de mim...

todos... todos... todos...

eu, um aquariano que ousou chegar aonde
não se chega...

eu tinha ido
contra
a
lei
da gravidade...

eu flanava de um lado
pro outro...



39

sim, monsenhor...
os canalhas desta cidade,
na certa ririam de mim...

ririam da minha derrelição...

eu um homem sem horizonte
que capengava naquele solo...

eu, desamparado....


40

mas
eu
havia
chegado...

eu via
a deusa fama
baldeando
de
valeta
em
valeta...

a deusa fama
vestida
de
azeviche...

eu
fazia
a
minha
doxologia...

mas qual deus
me
escutava...

meu rito era inócuo...
eu sucumbia sobre a planície
da desilusão...


41

aí, monsenhor...
a chuva começou a cair...
caía em pingos ralos...
pingos tênues...

procurei me quedar
em
qualquer
ancoradouro, monsenhor...

de
repente
um dilúvio...


os raios se
espatifavam
sobre as
crateras
labirínticas...

ventos
se
convergiam
num
vulcão...

redemoinhos
de
fogo
acendiam
e
ascendiam
aos
céus...

torvelinhos
de
esperança
abatidos
sob
o
tacão
perpétuo
da
maldade...

chovia, monsenhor...

42

um
pássaro
gigante
sobrevoava
sobre
a
minha
cabeça...

e
eu
suportando
todo
aquele
solo
pedregoso...


43

subitamente
começou
a
trovejar...

assustei-me
mais
ainda, monsenhor...

um
aquariano
da
minha
estirpe
sem
jaça
tem
medo...

assustei-me
com
o
trovejar...

pendiam
pétalas
de
poesia
naquele
mar
de
fogo...

mar
ígneo
onde
brotava
uma
pétala
de
rosa...

mas
logo
o
mar
se
encrespou
e
o
céu
irou
as
suas
vísceras...

o mar e o céu unidos por um só desejo...

44

eu já não entendia mais nada, monsenhor...
eu ouvia a algaravia dos silêncios...
fiquei com medo, monsenhor... muito medo...

eu,
monsenhor...

sozinho naquele solo pedregoso....
fiquei com medo....

45

um cérbero latia ao fundo...
com ondas variegadas meu cérebro sucumbia...
tive
um leve desmaio...
mas logo me avistei inteiriço....

46

e
eu
me
perguntava, monsenhor...

como
pode
um
aquariano
da minha
estirpe
ter
chegado
naquelas
paragens...

47

mas depois da trovoada
o sol
se plantou...
aquele sol parecia
um
dândi
com seus raios esféricos
e escaldantes...

48

a chuva intimidou-se...
mas
logo
o plúmbeo das nuvens desceu entre os álamos das cordilheiras....

e eu me afeiçoei aos álamos...
e eu
me afeiçoei às cordilheiras...

sentei, monsenhor, e comecei a chorar....

49

cérbero, atento, ouvia os meus lamentos...
o plúmbeo chumbo derretia e esfacelava-
se sobre os montículos espessos...

acintosamente
vários dutos entrelaçaram-se formando uma espiral elíptica...

por sobre aqueles dutos
erigiu-se
um degredo
de gelo caucasiano...

pelos
dutos transcorria uma água gélida ...

50

um vento tépido varreu os cabelos encaracolados e frouxos da harmonia...

51

e cérbero...
eu vi, monsenhor....
eu
vi
cérbero postado como a um guarda
da realeza...

não
sei, monsenhor,
a
quem
cérbero protegia...

porque lá era um vasto povoado de tédio e vazio...


52

não, monsenhor, não se tratava do hades ou do inferno...

não,
monsenhor,
não
se tratava
também
do
firmamento...

nem tampouco, monsenhor...

do purgatório....

53

não,
monsenhor...
um aquariano da minha etnia,
jamais conheceria
o cáucaso de perto...

54

não monsenhor,
dante
já havia nos mostrado
todos
os seus círculos
com seus hóspedes
e inóspedes...

55

eu,
um
aquariano
tosco,
monsenhor,
caminhava
sobre
aqueles
páramos
sem beatriz
ou qualquer outra vestal...

56

sim, monsenhor...
eu vi as vestais de dublin...

57

mas caminhava sozinho...

58
o charco se apoderava das lídimas correntezas...
o arco-íris
despertava nos interstícios das gelosias...
um abajur fulvo observava as suas saliências...
os livros repletos de ácaros aguardavam por um leitor voraz...
o sol repelia a chuva...
eu recebia encomendas de paris...


59

vinham versos bem concatenados por uma poetisa em degredo...


60

a poetisa deitava-se sobre os versos da saudade
e arpejava seu peito qual uma lira...

61

a poetisa em degredo chorava lágrimas de poesia...
seus versos emocionavam o poeta...
a poetisa resgatava o seu amor perdido através das palavras...

62

as palavras salvam, monsenhor...
as palavras salvam...

63

mas, monsenhor...
eu não estava a salvo...
eu, lá naquele labirinto, estava sem palavras...
as
palavras escorriam no sumidouro do esquecimento...

64

letra por letra ia se desajustando...
as frases já não se concatenavam...
e os canalhas da cidade aguardando um ditirambo qualquer...
os canalhas queriam qualquer coisa...
mas
não havia palavras...
as palavras já não expressavam mais nada...
as palavras não representavam mais nada...
letras eram trocadas...
parecia uma dislexia...

65

aí que não se compreendia mais nada...
não havia mais linguagem...
tudo era muito incompreensível...
os
hermeneutas
postavam suas cabeças nos incunábulos...
mas os incunábulos eram indecifráveis...

66

uma tristeza se abatia sobre mim...

67

de repente o tédio...
a solidão...

68

e
eu ia palmilhando aquele solo pedregoso...
aguardava uma ligação qualquer...
mas não havia sinais...
eram nove horas da manhã...
sim, monsenhor...
lá eram nove horas da manhã...
era um fuso preciso...

69

um ato falho apoderou-se de mim...
eu
agarrava-me à memória tentando escapar daquele pesadelo...
minha memória fraquejava...

70

de repente o silêncio...
ao fundo um ruído...
não, monsenhor, não era uma nota musical...
era
um ruído, monsenhor...
sim,
monsenhor,
eram
vários ruídos...

não, monsenhor,
não se agrupavam
em notas musicais...

71

aí pensei, monsenhor:.
deve ser schönberg...
deve ser varèse ...

72

deve ser...
não...
não...
não deve ser...

73

a
porta
abriu-se
de
chofre...

passos
nas
escadas...

silêncio...

outro passo...

pelo
postigo alguém
espiava...

ouvi uma outra voz...
não,
monsenhor...

eu
não
estava
mais
sozinho...

quem estaria comigo, monsenhor...


74

as nuvens se adensavam no céu...
eu ouvia espasmos...
agora alguém subia a escada...
outra
dislexia...

pensei,
monsenhor...
ela vem chegando...
vem
sorrateira...
a passos lentos, monsenhor...
ela
vem chegando...
ela
vem pontuando o meu corpo...
ela vem anunciando...

75

uma turbina estremecia os meus tímpanos...
eu já não compreendia mais nada...
outro passo...
mais um...
uma cortina sacudida...

76

agora um diálogo...
pés nas escadas...
o diálogo se estende...
panegíricos
de um lado a outro...
uma admoestação...
o vazio...
a
desesperança...
eu ia captando tudo,
monsenhor...
mas eu sentia medo....

77

ser um aquariano é terrível, monsenhor...
qual a sua lua,
monsenhor...
não monsenhor, não mo diga...
não mo diga....

78

o
diálogo num crescendo...
ao fundo um uníssono...
uma queda...
uma leve queda...


79

nove e dezessete, monsenhor,
e o pesadelo não passava...
o tempo originário revelou-se...
cheguei
ao
limite
do percurso...
eu precisava voltar...
a tontura que se seguiu era uma grande revelação...

80

recaída
e
recuperação...

81

história com final feliz...

82

uma voz....

83

tonitruante....

84

meu batismo.....


85

minha prima tonsura....

86

palavras
jogadas
ao
léu...

palavras
sem sentido...

palavras...
palavras...
palavras...

87

e os canalhas, monsenhor...
os
canalhas
ririam...

todos
canalhas
ririam,
monsenhor...

mas
eu não me deixei abater...

segui jornada adentro...

88

fui
caminhando...

avistei
um detento sentado em praça pública...
mercadejava
seus signos...

um escriba funéreo o acompanhava....


89

gentis homens,
monsenhor...

eu os via de forma translúcida...
um véu de neblina cobria-lhes as faces....


90

a multidão caminhava desesperadamente...
os carros alçavam as suas sirenes...
ambulantes
num
alvoroço...
mendigavam
espórtulas
mendigavam moedas...
vinténs....
mendigavam pão...

91

a cicuta
milimetricamente
sorvida...

92

livros...
jornais...
badulaques
à
mancheia...
música
em
excesso...
abundância...
desperdício...
padres
nas praças...
messiânicos com seus cantochões...

93

circenses com línguas de fogo...
labaredas
nos
cruzamentos...

helicópteros
sobrevoando
os
heliportos...

stress...
tensão...
bílis...
ódio...
malversação...
anseios gratuitos...
pactos...
desordens...
assassinatos...

94

seqüestros...
injúrias...
difamação...
dinheiro...
ouro...
piruetas...
extorsões....
amabilidades secretas...
sofistas decadentes...

95

rio
caudoloso...
labirintite...
pressões
desarticuladas...
lágrimas...
vestígios...
arruaças...
dízimos...
moedas...
moedas...
moedas...
gincanas...
espermas
contaminados...
exibições
gratuitas...
quinze minutos...
menos...
muito menos...

96

um minuto...
nada...
nada...

97

revolucionários...

98

utópicos...

99

caleidoscópio...
vertigem...
atores mambembes...
saraus...
cantos...
festas...
ágora...
parlamentos...
agora...
já...
daqui a pouco...
um
instante,
por
favor...
não...
eu
quero
agora...
agora...
já...
imediatamente...
balas....
molotovs...
favelas...
samba...
cachaça...



100

vazio...

101

vazio...
vazio...
vazio...

102

buraco negro...
buraco...negro....

103

choupana...
messkirch...

104

novolin 70/30...

105

alaíde...
ataúde...

106

alaúde....
starlix....
cho....cho...cho...
biografemas....

107

música...
saudade

vai
voltar...

eu nada vou dizer...

desculpa se eu chorar...


108

ramal 245...
ramal 236...
ramal 239...

109

o gato como uma estátua...

110

heidegger...
islã...
benjamin...

111

buraco
negro...
choupos...
cachopas...
buraco
negro...
dormir...
conluios...
falsas
cordialidades...
pequenas desavenças...
o
olhar
despercebido...
a
mão
na nuca...
diálogos
frugais...
dieta....
dependências...
buraco negro...

112

o mercador...
e-mail...
buraco negro...

113

e eu ali , monsenhor...
e o tédio se apoderando de mim...
eu
ouvia vozes, monsenhor...
uma
música
indecifrável ao fundo...
os prédios...
revirava-me
no
leito
da
aflição...
as
encostas
perfuradas
de desespero...
reminiscências...
óstracos...
a voz do poeta...
o poeta erigido num azulejo...
o poeta de black-tie....

114

dez
para
as três...

o fuso preciso...
mais portas...
calendários...
livros
empilhados...
varal
esvoaçando...
rota
de ícaros...
cidade
se
verticalizando...
esporro...
raiva

gula...
destemperança...
gráfico
glicêmico...
perfurar o lóbulo...
não perfurar...
mais uma refrega ganha...
eludir
todo
pensamento
nefasto...
bravatas
no ar...
revival...
o
eterno
retorno...
nietzsche...
pop...
o esconso...
o guardado sob o véu...
a resistência....
cioran...
ter
suprimento no bornal das idéias...
de que adianta....

115

de que adianta, monsenhor....

116

duas e cinquenta e sete...
eram duas e cinquenta e sete...

117

já não eram mais...

118

o fuso impreciso...

119

nada mais era....

120

o sumidouro...
o sorvedouro...

121

a barba por fazer...
espelho...
ducha...
motores turbinados...
a dieta...
o rigor...
a luta com o imponderável...
o exercício....

122

e eu palmilhava as suas jardas...
as suas medidas...
a areia na ampulheta...
o tempo medido...
o fuso preciso...

123

eu palmilhava, monsenhor....

124

eu,
um
aquariano...
o décimo primeiro signo do zodíaco...

125

o fuso preciso...
rato no chinês...

126

todos ririam de mim, monsenhor...
todos...
todos...
todos..

mas eu palmilhava.....

127

09 de março...
o fuso difuso ...
o fuso impreciso...
imprecisão...

idéias suicidas...
lâminas...
estiletes...
morfina benjaminiana...

o medo do infinito...
labilidade de pensamentos...

resgate...
curvas...
parábolas
afetos...
desafetos...
retrospectiva...
perdas e danos...
saldo equitativo...
protelação dos fatos...
vale a pena...
não vale a pena...
procura do detalhe...
deus está no detalhe...
procura do detalhe...
cama...
cama...
cama...
pensamento...
despensamento...
toca o telefone...
o rescaldo atende...
tudo bem...
uma leve depressão...
dias renovados...
o fio de esperança...
primeiras palavras...
strasse...
bild....
strand...
mutter...
vater...
ich...
spiel...
lieben....
aber...
logos
eti
gar
arsenico
o buraco negro...
vazio...
o medo do infinito...

128

o medo do infinito....

129

o medo do infinito...

130

o medo do infinito...

131

o medo...

132

infinito...


133

infinito...

infinito....


sim, monsenhor...
esse é o meu vezo:

o futuro...

sim, monsenhor...

o futuro dura muito tempo...

mas é uma merda... monsenhor....
uma merda...

sim, monsenhor, eu lhe garanto ...

eu, monsenhor...
um aquariano, concebido em meados de maio,
quando as flores restabeleciam o seu viço e as sebes
ornamentavam o asfalto com seu juncos...

sim, monsenhor, eu lhe afirmo:

o futuro é uma
merda... uma merda...

mas não durará muito tempo
nas mãos dos canalhas desta cidade.....

sampa/séculoxxi
wilson luques costa

Parti de um silogismo popular, de um senso comum. Tive essa miraculosa idéia num dia da semana qualquer, quando fui parabenizado pelos meus tórridos e inadimplentes 41 anos, há quatro anos.
Aliás sempre me dizem: ‘Que bom, você é de aquário, está cem anos à frente”. Até nisso estou azarado. Sou atropelado até pelo calhambeque da história. Imaginem: estou em 2105...sou da geração 2090....é mole??? e não me digam que é......rs.....o único bom motivo é que não compartilho dos péssimos políticos com vocês. Severinos??? Salvai-me.... Maior é Deus, pequeno sou eu....”

Falta revisar. Quiçá o texto inteiro. E então vai se chamar: “O Simulacro do Monturo”

enviada por WILSON LUQUES COSTA



14/03/2007 17:16

dia da poesia


o poeta é breve

como breve é a sua poesia


sua vida

um breve pé de página


perdido na imensidão no mundo


seus versos (Colosso de Rodhes)

sobreviverão

entre os escombros da vida





enviada por WILSON LUQUES COSTA



14/03/2007 16:12

ESCRITORES FÁUSTICOS

Voltando à antifrase de Kafka: tudo que é literatura me enfadonha. E enfadonha-me mais as não criativas e não menos vazias declarações de poetas e escritores. Como: o que é poesia? Aliás hoje é o dia da danada. E os caras fazem um discurso à la Romário e Rivelino quando perdiam os seus respectivos jogos. Dizem, dizem... e não dizem nada...mas aproveitam o ensejo para desfilarem o seu vocabulário engessado de citações e referências a personalidades já sabidas do grande público. Vão citando Pound, Baudelaire, Lautréamont, Murilo Mendes (ou não) - tudo dependendo da sua escola. O que mais me desagrada, na verdade, é o sofisma da informação. O cara, o poeta, que é traduzido na europa inteira e mais no cazaquistão, não é, por outro lado, por nós conhecido (ah, evidente! somos uns tolos analfabetos) - nem em sua casa, mas diz e discursa. E qual o corolário? O vazio da sua própria vida. Escreve não sabe por quê... Vive... também não sabe por quê... Quer imortalizar-se... Ficar na boca do povo: esse cara, na década dez do século que passou, foi um grande poeta... Uma sumidade...Todos escritores e poetas fáusticos, não no sentido Goetheano - mas no sentido do domingão do Faustão: grandes poetas, grandes escritores, grandes ensaístas, um dos maiores escritores da geração tal, escreveu nas revistas tais e tais, ganhou o prêmio internacional the book on the table... Participou da trigésima oitava amostra de poetas contemporâneos... Um autor ciclópico, com certeza - e eu, aqui, sozinho, advogando ser apenas mais esse ratinho atrás aqui dessa enorme montanha....



enviada por WILSON LUQUES COSTA



12/03/2007 11:50

O ACINÉFILO

Há pessoas que me imaginam um cara fora dos quadrantes: esquisito. Um idéia do senso comum. Imaginam-me um cinéfilo. Um cara que vive nas filas do espaço unibanco, hsbc, itaú -- seria ato falho -- ou cultura tem a(h)ver com money? Mas é difícil assumir que não gosto de cinema. Posso até assistir a um ou outro filme, mas se não for bom, durmo ou fico irritado olhando para o relógio no escurinho do cinema. Já tive uma fase de recherche, nos tempos dos blockbusters, e aí assisti a alguns filmes que eram chamados de clássicos. Mas normalmente acho que duas horas de atenção são muito para a minha cabeça avoada. O mesmo para o teatro. Teatro assisti a peças mais na década de oitenta. Mas não sei por que, prefiro as leituras dos textos. Mas hoje em dia nem o tal de Stratford-upon-Avon. A musicais... também não freqüento. Detesto encarar aquelas filas. E outra: sou um kiddureza, por isso nada. Fui algumas vezes ao Sesc Pompéia ou outro. Mas para me tirar de casa nem uma beldade do século xix. Saraus, alguns participei. Mas acho-os chatos. Ninguém presta atenção. E é só cachaça, cigarro e poesia de púlpito. Por isso não é à toa que a Raquel me disse certa vez que nunca vai ao cinema ou ao teatro comigo. E eu não sei explicar essa minha desídia de quase cinqüentão. Estou parecendo aquele colunista da Folha: ´vai indo que eu não vou´. Gosto mesmo de ficar pelo bairro e circular solto pelas ruas e avenidas. Folhear livros e comprá-los de preferência. Gosto de estar comigo - mesmo que sozinho. Gosto de programas de esporte. Aquelas ladainhas todas. E de programas de entrevistas. De resto, enfaro-me facilmente. Já tentei analisar porque essa dificuldade com o cinema, teatro e outros tipos de cultura. Mas é que não gosto mesmo. Sou meio caseirão. Lembra-me certa vez, quando - sem noiva ou namorada - inscrevi-me nos chats para conhecer uma nova namorada. E eu não sabia o que colocar. Por isso escrevi CHATO. Só livros. Mas até de livros eu já estou com o saco cheio. Acho que estou perdendo aquele grande elã de descobrir. Só espero que pequenas teias não virem, em breve, arames farpados em meu coração.

enviada por WILSON LUQUES COSTA



09/03/2007 17:41

PÉRIPLO

(para

demandar

a massa

necessita

ser

Deus

ou

o

Diabo)


enviada por WILSON LUQUES COSTA



09/03/2007 17:24

O ATEU

EXISTEM DOIS TIPOS DE ATEUS: OS QUE TIVERAM FÉ; E OS QUE NUNCA A TIVERAM. OS QUE ACREDITARAM EM DEUS, PRECISAM JUSTIFICAR AGORA POR QUE NÃO MAIS ACREDITAM; OS QUE NUNCA ACREDITARAM TAMBÉM PRECISAM JUSTIFICAR PORQUE NUNCA ACREDITARAM. EIS AÍ RETORNANDO O EMBATE ENTRE FÉ E RAZÃO. O PROBLEMA É QUE OS ATEUS NECESSITAM SEMPRE DE UMA DOSE A MAIS DE FÉ DO QUE DE RAZÃO PARA JUSTIFICAR AS SUAS RAZÕES. O PROBLEMA DA RAZÃO TEM SIDO, ULTIMAMENTE, MAIS UM EXERCÍCIO DE FÉ DO QUE DA PRÓPRIA RAZÃO; E O PROBLEMA DA FÉ TEM SIDO BUSCAR RAZÕES SUFICIENTES (EMPIRIA) ALÉM DA PRÓPRIA FÉ.


enviada por WILSON LUQUES COSTA



09/03/2007 17:18

Penso que a fé é um baluarte de quase todas, senão todas, religiões; mas penso também que as religiões trabalham com um sensu de ciência. É ciência quando tentam se embasar em seus milagres.



enviada por WILSON LUQUES COSTA



07/03/2007 16:57

Abaixo alguns textos trocados com o colega Paulo Evaristo. Para mim simplesmente um cara de uma inteligência marcante. Não é sempre que você conhece um jovem com conhecimentos assim profundos de grego e hebraico e sem aquela empáfia que nos é sempre característica. Para quem tem dúvida é só ler os seus comentários no meu blogue. Estava pensando em desistir do blogue - mas apagar o pensamento do meu amigo Paulo Evaristo Videira seria como cometer uma hybris do tamanho de Cnossos.


enviada por WILSON LUQUES COSTA



07/03/2007 16:51

Caro Paulo Evaristo

Obrigado pelas suas palavras. Obrigado mesmo. Mas filósofo nunca. Só questionei uma dúvida pueril que me perseguia desde antanho. E você tem total razão. O que habita em mim ultimamente é a desesperança. Ontem mesmo à tarde junto aos meus poucos livros tentei rascunhar um pequeno poema, sem métrica, com uma rima simples, com um certo ritmós, para um pequeno desabafo. Não consegui perpetrar de todo, mas o título sim: Fogo amigo - fazendo uma alusão aos descompasso dessa era. Excetuando a tua figura que me é assaz eudaimoniana e um ou outro colega que cultivo, sinto que presentifico e pontuo num fogo amigo. Hoje nem somos mais uma colcha de retalhos de nossos desejos. Todos, tomando a sua helena definição, numa plenapleonexia - buscando o seu cálice ou chávena doxamidiática. Os quinze famigerados minutes de Andy. E não há nada que possa mais nos aglutinar, sequer um cordame viscoso. Sinto-me perdido num saara da ignorância e inerme de todos os canais comunicativos. É o escatós, amigo. É o escatós sem nenhuma esperança.

enviada por WILSON LUQUES COSTA



06/03/2007 17:36

ESCREVO NESSE BLOGUE E NÃO SALVO NADA. MAS JÁ PERDI NÃO SEI QUANTOS TEXTOS. MAS VOU ESCREVENDO DE NOVO. NA GRÉCIA ERA ORALIDADE E CONHECEMOS MUITAS COISAS AINDA. SE QUISEREM IMPRIMIR QUE IMPRIMAM. NEM SEI SE LÊEM ESSE BLOGUE. MAS ESTÁ AÍ PARA O QUE DER VIER E VIER. EVIDENTEMENTE, SE JULGAREM ALGO DE VALOR. CASO CONTRÁRIO AGUARDEM ATÉ EU ACERTAR O TACO.

enviada por WILSON LUQUES COSTA



06/03/2007 17:03

Caro Paulo Evaristo

Quando conversávamos hoje, ao telefone, falava-lhe sobre o quadrado dos opostos, lembra-se? Pois o que eu queria dizer é que - no quadrado dos opostos para: (A) Toda matemática é necessária e para (O) Alguma matemática( aritmética - PZ) não é necessária -- porque em epokhé/epoché - há contradição momentânea.

enviada por WILSON LUQUES COSTA



06/03/2007 16:37

Olá caro Paulo Evaristo Videira

Li seus comentários. Aliás os únicos até aqui. Mas de uma inteligência tamanha. E digo tamanha, porque estive tête-à-tête e vi que aos 27 conhece como se fosse um homem de cem anos. Acrescento mais setenta só de inteligência. Vou ser sincero com você, você me vem com ´simploquético´ e ´pleonexia´ que eu estava longe (e você me desculpa porque ultimamente só venho lendo a folha de são paulo e alguns blogues) - embora balbucie alguns conceitos - mas estes me fugiam. Mas entendo o zero como um possível noûmeno kantiano. Aliás, já garatujei algumas coisas que ele seria aquele em si -- havendo uma possibilidade - só para filosofarmos mais um pouco - de os demais números serem os seus rebentos - e aí mudar o posicionamento do dito cujo. Não sendo zero mais, mas sim essência do um e o zero dando-nos aquele todo primeiro motor aristotélico. Mas é só um pensar. E se pensarmos bem não saímos da physis mesmo numa alusão aos estóicos se não me engano. Sendo humano, belo, bonito, homem, gente, etc categorias tão somente de uma physis, digamos assim, democritiana. Ou melhor: acidentes na visão do estagirita. No grego, simples é ´aplous, correto? (grafei em português) e teria alguma coisa a ver com o simploquético? E quanto à pleonexia já tentou explicitar no próprio texto( um tipo de invidia/desire so on) pelo que me parece. E obrigado por escrever aqui nesse humilde blog. Quem na verdade se admira de você sou eu. Fiquei ontem estarrecido com essa giga intelingência. Um forte abraço e escreva sempre.

enviada por WILSON LUQUES COSTA



05/03/2007 18:07

Outro dia ouvi aquela velha máxima da merda: quanto mais se mexe, mais fede. Lembrei-me dela ao ler o novo artigo de Renato Janine no Mais. Não precisa ser um hermeneuta nem um freudiano para lhe sacar alguns atos falhos. Aliás saquei muito antes quando afirmou num Café filosófico que os Shoppings podem servir para um processo civilizatório. Até podem, mas tudo isso dista longe de um aprofundamento das questões cruciais. Estamos filosofando mesmo com Januária na nossa janela.

enviada por WILSON LUQUES COSTA



05/03/2007 17:41

Sábado estive num encontro presencial de um curso que venho fazendo. Um curso EAD. E eu estou retomando a minha alegria e estou simpático, como sempre fui, com todo mundo. Sem aquele mau humor que me habitou de uns tempos para cá. E eu gosto do ser humano. Por isso converso com todo mundo sobre tudo. E gosto também de cumprimentar, coisa que aprendi com os meus pais. Mas houve um colega na roda, filósofo, que não me deu a mão. Aliás olhou-me de soslaio. Entendi o seu ato. E continuou a falar de filosofia. Peguei um caderno e escrevi uma frase de duas linhas com uma palavra para cada em inglês, latim, grego, alemão e português. E me despedi assim: ´com licença, vocês percebem que não é difícil querer ser um filósofo.´ Depois ainda tentei lhe demonstrar o PZ, mas quase desisti, porque não conseguia me responder a seguinte pegunta singular: Quanto é 1 x 0 ? - e ele titubeando e eu quase lhe compreendendo a sua insatisfação intuitiva comigo.

enviada por WILSON LUQUES COSTA



05/03/2007 17:11

Hoje estive na Leste 1 para tentar atribuir aulas de filosofia. Mas saí com as mãos abanando. Bom sinal: num país como o nosso, temos filósofos demais - até em excesso. Ou seja: já temos filosofia brasileira ao contrário do que dizem. Outro bom sinal foi conhecer sem querer um cara supimpa demais e a sua esposa. O cara é bom pra caramba e conhece grego muito, mas muito mais que eu, sem falar no fato de sua esposa ser grega e muito legal. E eu fiquei de lhe encaminhar certas correspondências que eu tenho guardadas comigo para a minha seara. E por isso me deu vontade de postar aqui. Aliás, no Brasil não é só desdém. Temos às vezes alguns panegíricos. E abaixo seguem os devidos.

Quarta-feira, Dezembro 13, 2006
Com a permissão do grande sábio Wilson Luques Costa.
Nunca tive o menor respeito para com intelecuais. Na verdade sempre os desprezei. Minhas discussões com os USPianos que conheci, terminam sempre de maneira abrupta, onde volta e e meia eu os mando enfiar a arrogância deles no cu. Tudo o que eles tanto enaltecem em si próprios na verdade pertencem não a eles. Mas sim a Nietzsche, Kant, Karl... enfim, a pensadores do passado. Todos mortos.
Não que eu não goste dos mortos. Pelo contrário.
Por muito tempo, eu só conversei de verdade com eles. A Jeniffer sabe. E sabe muito bem também o que mudou. E porque mudou.
E porque não dizer, qual a causa primeira dessa mudança.
Os USPianos ainda não se deram conta de que o que eles tanto prezam, pode ser conseguido por um mané como eu pelo custo de 3,00$ de multa na biblioteca municipal de Sto. André. Ou na biblioteca Vegueiro. Cada uma com seu charme.
E qual a minha surpresa, quando encontro alguém, com o mesmo desprezo pela universidade quanto eu. E ainda por cima, um filósofo.
A mim, ele apresentou o que ele mesmo batizou (!!!) de Paradoxo do Zero. Um sistema lógico que não faz nada além de derrubar toda a matemática de Peano. Só isso.
Na verdade, eu incluiria aí também entre os derrubados, Gödel, Russel, Poincaré, Cantor, os Bourbakis... e mais um sem número de matemáticos e lógicos que constroem axiomas e proposições considerando o zero.
A quem interessar o pensamento de um livre pensador por excelência, visite o Jardim de Adônis. Não vão se arrepender.
posted by raffa vedder at 11:31 AM


Olavo de Carvalho (lumen@openlink.com.br)
Para: Wilson Luques Costa (granizosdosdeuses@hotmail.com)
Assunto:
Re: Projeto

Prezado amigo, Tenho a maior apreciação pelos seus estudos, e gostaria de ajudá-lo no quefosse possível. Mas é preciso que você me explique o que espera de mim maisprecisamente. Um abraço do Olavo de Carvalho


enviada por WILSON LUQUES COSTA



05/03/2007 17:07

Olá Gande Paulo Evaristo Videira,

Esse é nome de filósofo mesmo. Foi o maior prazer te conhecer hoje lá na Leste 1, juntamente com a sua esposa. Fico superfeliz quando encontro um jovem, posto que é jovem, com essa inteligência tamanha. No Brasil varonil isso é um luxo, para não dizermos um lixo na visão tupynyquym. Em 10 minutos fomos de Heráclito a Cioran, Noica, Olavo de Carvalho, helenos e vamos que vamos que aqui não é só carnavacachaçamangueira. Por fim, para estertorar antes do estertor final que não sabemos mas julgamos e não menos evitamos: aí vai um e-mail de um jovem colega e professor de filosofia...ele falou algumas coisas sobre o PZ (paradoxo dio zero)...

Vou encaminhar algumas coisas no seu e-mail...mande notícias e escreva até para criticar -- longe de mim de ser um filósofo...só tentei colocar um problema que nem sei se está certo...

Um abraço e vamos tomar aquele café...

Estou querendo voltar a estudar grego, porque já esqueci tudo...e aos 47 só mesmo com memorial...

wilson luques costa

as aulas voltaram, meu caro amigo e como não poderia deixar de ser, aqui estou eu frequentando a universidade, enfurnado em meu mal humor, com piadas a la nietzsche.
segunda feira, no primeiro dia de volta as aulas, eu caçoei da piedade de um amigo meu, dizendo que aquilo era coisa de cristão. ah, ah, ah!
devia ter visto o jeito como ele me olhou!
e pra aproveitar meu mal humor, estou organizando um grupo para derrubar os atuais representantes de filosofia do curso, e para pedir a cabeça da atual coordenadora, que não passa de uma repressora, defensora dos interesses da instituição!
quanto ao pz, meu grande sábio, nada ainda. eu estou conduzindo uma investigação para identificar se a matemática é ou não um constructo do homem. acredito que uma boa resposta neste campo pode enriquecer o debate acerca do paradoxo.
e esses são meus cumprimentos de quem começou o ano se lembrando o porque odeia tanto a
----------


enviada por WILSON LUQUES COSTA



03/03/2007 16:29

ECOLOGIA

Um bicho em extinção: psittacus intelectualis.


enviada por WILSON LUQUES COSTA



03/03/2007 16:13

Pergunta acaciana

Muitos falam em pena de morte, como se ela (a pena de morte) já não existisse desde seu nascituro. Agora pergunto: por acaso o senhor, meu caro Acácio, viverá eternamente?


enviada por WILSON LUQUES COSTA



03/03/2007 15:58

Assumo desde já que sou um ´pequeno-pequeno-burguês´ e que não tenho jeito. Não moro nem nunca morei numa favela. Embora seja bem remediado. Mas também não sou aquele cara de cathedra que vive defendendo a pobreza, mas que nunca saiu de higienópolis ou adjacências. O meu lugar é no meio do povo. Falo logo: se o povo depender desses nossos intelectuais estará perdido como sempre esteve. Seria bem melhor esses jornalistas, ´atores´ e poetas começarem a falar logo da opulência ou da riqueza. Afinal só se pode falar bem daquilo que melhor se conhece. E intelectual, infelizmente, não conhece tão bem o povo como conhece a opulência.


enviada por WILSON LUQUES COSTA



02/03/2007 17:21

Sobre o artigo do Mais de Renato Janine - Postei esse comentário no blog do Marcelo Coelho.

Caro Marcelo,

Respeito o sr. Renato Janine, mas ele é de uma certa forma um formador de opinião. Mas o problema não deve cair num maniqueísmo: esquerda/direita; pena de morte/ direitos humanos. O que espanta num filósofo é suscitar características inumanas adquiridas num ser humano, sem a prévia ainda demonstração da ciência e desconsiderar fatores que poderiam ter levado ao horror praticado. Quer dizer que certas pessoas já nascem com patologias irreversíveis e com tendências assassinas e que nenhuma educação daria conta? É possível até que ele esteja certo: Lombroso, Gobineau, Hitler pensavam assim. O que na verdade precisamos é saber quem é esse tal de Goebbels da favela.

enviada por WILSON LUQUES COSTA



01/03/2007 17:57

APRENDIZAGEM COOPERATIVA

Julgo a aprendizagem cooperativa como talvez a mais revolucionária e transformadora forma de educar. No obstante, os blogues, os sites, as salas virtuais, ainda impera em nossa sociedade uma certa suspeita e um certo desmerecimento a esse novo método. O fato de externarmos as nossas idéias por escrito, dialogando com outros colegas, que sempre trazem novos conhecimentos, é um fato jamais visto. Há aqueles que defendem ainda a velha sala de aula --mas, a meu ver, isso não perdurará. É evidente que é sempre salutar o contato humano; mas creio também que há os seus Inconvenientes quanto ao aprofundamento das questões, a saber: uma intervenção naquele local e momento pode ser inadequado e ferir todo um fluxuograma, ou mesmo despertar melindres de colegas com afãs diferentes do propósito do questionador; a aula pode enveredar e se perder em questiúnculas que fugiriam à ementa e ao objetivo primeiro, pode, além disso, causar certos dissabores - como uma antipatia gratuita pela voz do emissor, ou pelo seu
modo de gesticular etc - que estariam num campo mais propício da psicologia, mas que atrapalharia sobremaneira o aprofundamento do conhecimento. Através da interatividade, e com a devida supervisão dos tutores/professores, poderemos criar ou fazer um certo tipo de ciência que estará