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14/03/2007 16:12
ESCRITORES FÁUSTICOS
Voltando à antifrase de Kafka: tudo que é literatura me enfadonha. E enfadonha-me mais as não criativas e não menos vazias declarações de poetas e escritores. Como: o que é poesia? Aliás hoje é o dia da danada. E os caras fazem um discurso à la Romário e Rivelino quando perdiam os seus respectivos jogos. Dizem, dizem... e não dizem nada...mas aproveitam o ensejo para desfilarem o seu vocabulário engessado de citações e referências a personalidades já sabidas do grande público. Vão citando Pound, Baudelaire, Lautréamont, Murilo Mendes (ou não) - tudo dependendo da sua escola. O que mais me desagrada, na verdade, é o sofisma da informação. O cara, o poeta, que é traduzido na europa inteira e mais no cazaquistão, não é, por outro lado, por nós conhecido (ah, evidente! somos uns tolos analfabetos) - nem em sua casa, mas diz e discursa. E qual o corolário? O vazio da sua própria vida. Escreve não sabe por quê... Vive... também não sabe por quê... Quer imortalizar-se... Ficar na boca do povo: esse cara, na década dez do século que passou, foi um grande poeta... Uma sumidade...Todos escritores e poetas fáusticos, não no sentido Goetheano - mas no sentido do domingão do Faustão: grandes poetas, grandes escritores, grandes ensaístas, um dos maiores escritores da geração tal, escreveu nas revistas tais e tais, ganhou o prêmio internacional the book on the table... Participou da trigésima oitava amostra de poetas contemporâneos... Um autor ciclópico, com certeza - e eu, aqui, sozinho, advogando ser apenas mais esse ratinho atrás aqui dessa enorme montanha....
enviada por WILSON LUQUES COSTA
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