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22/03/2007 10:31
Alguma reflexão sobre educar
Julgar que não passa de um mero discurso que a cidadania é um dos caminhos para se combater a desigualdade social no Brasil, já é por si só uma falta de cidadania. Se entendermos por cidadania estar sob a égide de uma constituição, que se pretende salvaguardar os direitos isonômicos a todo brasileiro, então veremos que a educação está longe desse seu escopo. E a educação brasileira, por mais que se esforce, a cada dia mais se afasta desse ideário, quando não consegue educar. Aliás, o que mais a educação tem feito no Brasil, com algumas exceções evidentes, é menos educar e mais dividir as classes entre incluídos e excluídos, ou melhor, para não dizer sobre o seu corolário: ricos x pobres ou dominantes x dominados. Sendo esse modo particular de des(educar) uma infração inominável aos direitos do ´ser´ brasileiro e por conseguinte ´ser´cidadão. Quando se fala em conceito educacional, devemos, antes, atentar para quais objetivos. Se o objetivo é a clivagem de classes, então a educação brasileira já disse para o que veio; e está eficaz em seu propósito. Se, no entanto, o seu propósito for o oposto de tudo isso, deveremos, então, refletir sobre uma nova maneira de educar, e deixarmos de considerar moedas sonantes todas as fomas de conhecimento, e as repartirmos com os nossos cidadãos. Devemos ainda aludir que nosso propósito educativo deve partir de nossos governantes, dando-nos todo o aporte estrutural e catalisador, com a clara adesão dos educandos que também devem cumprir com o seu papel de serem educados para educar; formando, dessa forma, um efeito dominó que só nos trará, sem embargo, todos os benefícios a curto e a longo prazos. Porque se educar é um projeto, deseducar tem sido também um projeto dos chamados tanques do pensamento deseducativo; e sendo, sim, mais uma escamoteação ou crime de lesa-pátria, do que destinar o homem à sua plena liberdade, ou ao seu senso de inserção histórica, demarcando-lhe também as balizas de seus direitos e responsabilidades, inculcando-lhe também certos comportamentos éticos-morais, embasados em justificativas intuitivas ou racionais, mas que venham ao encontro da preservação sempre e sempre da vida humana. E se as desigualdades não são inatas, porque surgem pela má gestão de um projeto educativo, fácil será perceber que um bem alinhavado projeto educacional poderá em curto espaço de tempo romper com essa falta de cidadania, que, infelizmente, grassa entre todos nós, todos nós: ´cidadãos´ brasileiros. Que, de uma vez por toda, no Brasil, não se confunda mais educação endênica com analfabetização endêmica.
enviada por WILSON LUQUES COSTA
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