Rapsódia da Contemporaneidade













26/03/2007 16:19

Em terras de cegos quem tem um olho é caolho.

Vivemos, queiramos ou não, pelo princípio da autoridade. É assim: quem é você ou você sabe com quem está falando? E se não for assim, neca de pitibiriba. Eu, aqui nesse ou em outro blog, já deitei e rolei o meu tipo de arrogância e por essas e tais brincadeiras, quase que perdi os poucos amigos que eu cultivava. Por quê? Porque ninguém gosta de cara sabichão, metido à besta e dono da verdade ou que não tenha um mínimo de humildade. Mas façamos o contrário então: escreva uma crônica ótima ou boa e encaminhe para os jornais e revistas especializados ou não -- e a resposta virá: Senhor, fulano de tal, queira, por gentileza, identificar-se e colocar logo abaixo a sua formação universitária, especializações na pós-graduação, se fez mestrado, doutorado, pós-doutorado, se viajou para o exterior - indicar o local e o tempo de permanência - contatos e reconhecimentos - se já escreveu em algum jornal - apontar a linha de sua universidade - se poeta, favor citar revistas, periódicos nacionais e internacionais, para que possamos considerar o seu artigo e/ou o seu pensamento -- no mais, o nosso mais sincero agradecimento -- e o pior é que nem isso eles nos fazem... Falo tudo isso para demonstrar esse princípio de autoridade que nos permeia desde o nosso nascimento como nação. Ou seja, o cidadão-cidadão poderá ter uma idéia brilhante, mas se não tiver os devidos panegíricos, nada de reconsideração pelo que escreveu -- o que quer dizer que a sua voz ecoará no vazio... Falo isso ainda mais porque tenho o péssimo ato de enviar comentários para determinados blogs e o pensamento deve ser: quem é esse aproveitador ou papagaio de pirata? Mas a saber mais uma vez para as plebes ignarae: sou o autor do chamado Paradoxo do Zero, sim senhores, e se quiserem saber mais sobre a minha autoridade, deverão, no mínimo, os senhores, sobreviver pelo menos mais duzentos anos, por isso peçam a Deus para lhes dar devida guarida de vida. Como dizia Nietzsche: alguns homens nascem póstumos -- eu já nasci no próprio tempo, mas, infelizmente, numa terra de cegos...


enviada por WILSON LUQUES COSTA






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