Rapsódia da Contemporaneidade













02/04/2007 15:45

Roube gravatas não roube galinhas

Tenho alguns colegas que exercem a medicina. E por sinal dois com especialização em psiquiatria. Na realidade, lídima coincidência dos fatos. E longe está de associar-me a eles: eu como alienado; eles como alienistas. Portanto, desconheço quaisquer efeitos colaterias que possam ocorrer com certos medicamentos -- principalmente medicamentos com substâncias que levam ao ato de furtar. Se é assim, devemos considerar que o mundo desde os seus primórdios já vem fazendo o tal uso desses tais medicamentos - mas que só agora a ciência os descobriu - e mais principalmente ainda quando aviados a uma certa elite, por assim dizer. Nunca vi até hoje em minha vida, o meu colega Rochinha ser liberado por ter ingerido essa substância. E a defesa dos usuários de ansiolíticos é que por uma vida ilibada, e por serem ricos jamais necessitariam furtar. Como se desconhecêssemos esse tal de Brasil Ou seja: negado o indulto a todos os furtadores usuários de outras substâncias que não sejam ansiolíticas. Ladrão-ladrão rouba porque cheira crack, fuma maconha ou aspira cocaína - que - pelo que me parece - não têm esse poder ansiolítico. Ou porque não passam por problemas mentais e quetais - sendo imoralmente mesmo imorais. A mulher que furtou um remédio para o seu filho numa farmácia, furtou porque é uma ladra mesma ou outros casos e casos irresolvidos nessa cidade. Ou seja: o furto só é válido, quando você não necessita daquele objeto do furto (atentarmos nesse caso para o paradoxo do furto) - furto por necessidade requer prisão, masmorra de último quilate. Ou seja: se você for rico e tiver uma certa ascendência social e se tiver condições financeiras, você poderá perpetrar o furto; mas se você for pobre, meu amigo, você estará mesmo fodido. Por isso agora leia esse conselho: antes de roubar uma limusine, compre antes uma limusine; e se ainda puder, de sobra, coloque na carteira vinte e tantas gotas de gardenal, se possível, na sua carteira. Mas cuidado para não molhar o seu bolso antes de molhar a bolsa ou o bolso desses seus mais ferrenhos inimigos: esses tais chamados de seus inimigos morais.

enviada por WILSON LUQUES COSTA






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